Ana não era aquela cheia de voz.
- Andressa Fonseca
- 13 de nov. de 2019
- 1 min de leitura
Atualizado: 30 de dez. de 2019
Ana não era aquela cheia de voz.
Ao contrário, ela preferia sempre se calar
- tinha medo de qualquer palavra sua -
E tanto ela se calou,
que acabou presa na escuridão de si mesma.
Tanto se calou,
que não soube mais que palavras eram as suas ou as dos outros.
Tanto se calou,
que perdeu sua voz.
E quando tentava falar,
o silêncio se preenchia de silêncio.
Mergulhou no medo.
"Cala-te, Ana! Deixa que falem por você."
"Não se atreva a falar, Ana. Experimente..."
Vai, Ana... Vá!
Calce as tuas sandálias, Ana!
Aquelas que tu gostas...
Cante, Ana!
A canção que está nos teus lábios...
Ana, cante forte!
Antes que teu peito exploda.
Vista-se, Ana!
O vestido que te deixa tão bela...
A beleza é tua, minha querida
Faça proveito!
Há um nó no teu pescoço, não vês?
Eu te conto.
Eu te trago a tesoura.
Passa lâmina na corda, tu podes.
Só tu, Ana!
Tens força, sabes disso?
Eu te conto.
Eu luto contigo.
Vai, Ana! Eu rogo! Vomite!
Estais quase liberta, não desista.
A escuridão morre ao nascer do sol...
Não sabes?
Tu és o sol!
Tais livre, Ana!
O ar corre em teus pulmões.
Abra a boca e faça-o vibrar nos lábios!
Vai, Ana!
Cante, Ana!
Dance, Ana!
Confie, Ana...
Confie na tua voz - agora alta -,
ela preenche o silêncio com o teu saber guardado.
Vai, Ana! (2018)




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